
O trash é um gosto adquirido, que também tem seus mestres. Os que mais se destacam conseguem juntar risos e terror, criando o curioso subgênero “terrir”. No Brasil, o maior nome do terrir é, sem sombra de dúvidas, Ivan Cardoso. Seus filmes “O Escorpião Escarlate”, “As Sete Vampiras” e “O Segredo da Múmia” confirmam a fama.
“Um Lobisomem na Amazônia” é um projeto antigo do diretor, que só chega agora às telas, depois de quase quatro anos – o primeiro trailer é de 2006! -, e mistura várias histórias, estilos e personagens. Tem mulheres gostosonas, sexo, lobisomem, floresta amazônica, amazonas (as guerreiras) seminuas, santo daime e até o Dr. Moreau, o personagem de H. G Wells já vivido por Charles Laughton, Burt Lancaster e Marlon Brando no cinema – e agora pelo ator espanhol Paul Naschy.

Claro que o filme tem problemas. Algumas das histórias parecem deslocadas, algumas piadas são muito batidas e a maquiagem não é exatamente o que estamos acostumados a ver.
Ao mesmo tempo, o filme tem boas imagens e momentos deliciosos, como a participação especial de Sidney Magal como um sacerdote inca, e aparições curiosas de Guará Rodrigues, Tony Tornado, Nuno Leal Maia, Evandro Mesquita, Orlando Drummond e do próprio Naschy, cultuado entre os fãs do eurotrash como “el hombre-lobo” de uma série de produções B iniciada em 1968.

O grupo de jovens que quer experimentar o santo daime e entra na floresta, bem mais irregular, tem Karina Bacchi, Bruno de Lucca, Pedro Neschling e Djin Sganzerla. A protagonista é Danielle Winits, que está mais Danielle Winits do que nunca com suas microroupas, seus peitões e muitos gritinhos agudos.
Nada que fique para sempre na cabeça, nem que vá mudar a vida de alguém, mas como um bom trash, cheio de misturas e absurdos, é diversão certa.
O Lobisomem da Amazônia (O Lobisomem da Amazônia, Brasil, 2009)































