
Antes de mais nada, é importante dizer que a versão lançada em DVD de “Halloween – O Início” não é igual à cópia que foi para os cinemas, que foi brutalmente editada para ganhar censura 14 anos. A mesma empresa que mutilou o terror na telona agora lança o DVD “sem cortes” – nada menos que o filme como deveria ter sido exibido desde o começo.
Rob Zombie se consagrou como diretor com dois filmes contando a saga da família Firefly – especialmente “Rejeitados pelo Diabo”, que ganhou status de cult. Assim, com carta branca do estúdio para refilmar e relançar a saga “Halloween” para um novo público, o diretor conseguiu convencer os produtores de que tinha uma “visão” e optou por não beber totalmente da fonte original de John Carpenter.

A decisão de contar a até então desconhecida história de Michael Myers acerta mais que erra, ao revelar a conturbada infância e tendências para a violência e sadismo do monstro da saga, o que cria um envolvimento maior do público. Myers é mantido preso num sanatório durante toda a adolescência e ganha intenso tratamento de um psiquiatra, interpretado por Malcolm McDowell (o eterno Alex de “Laranja Mecânica”). Já adulto, ele foge e vai atrás do último membro da família que não chacinou: sua irmã adolescente.
Zombie mescla um ar de tributo aos filmes da saga a seu método trash de filmagem. A estética setentista esta lá, casando perfeitamente com a história e o gosto do diretor. Muitos palavrões, mulheres nuas e, obviamente, muito sangue, o que no fim das contas remete a “Rejeitados pelo Diabo” – com direito a participação quase total do elenco daquele filme em papéis menores.

Os fãs do gênero encontrarão o que buscam. O remake fez sucesso suficiente para Zombie dirigir uma continuação – que chega aos cinemas do Brasil só em fevereiro.
Mas passada a primeira parte interessante no hospício, o filme desanda, vira um clichezão do terror, contando a velha história do bicho papão do Halloween de forma corrida e irregular.

Só o que diferencia este remake de uma das muitas continuações derivadas do filme de 1978 é que “Halloween – O Início” não tem piedade. Tanto para o lado da vítima quanto do assassino. Para Zombie, o espectador deve decidir por quem torcer. Talvez este seja o único ponto que se aproxime de uma inovação, pois as irregularidades da trama são mais aguçadas que as intenções do diretor.
Halloween – O Início (Halloween, EUA, 2007)
































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